Especialistas de Santos dizem que o rumo da propaganda é multiplataforma

Cada meio de comunicação tem uma característica e propicia uma forma de segmentar e convencer público


Propaganda ajuda a emplacar marcas, mas se deve entender como funciona cada veículo Foto: Matheus Tagé/AT

“Não é assim uma Brastemp”. A frase foi criada para uma campanha publicitária da marca em 1992, atravessou décadas e até hoje permanece na lembrança de muitos brasileiros – fenômeno que gostaria de ser repetido por outras empresas. Mas chegar a patamares semelhantes requer uma estratégia de comunicação bem preparada, o que pode tirar uma marca do anonimato e consolidá-la no mercado, afirmam especialistas.

O início do processo leva em consideração o conhecimento do seu público-alvo. Essa informação vale ouro na publicidade, diz a gerente de Vendas Multiplataforma do Grupo Tribuna, Juliana Fernandes.

“Campanhas emocionais fizeram muito sentido na pandemia, todos nós estávamos mais sensíveis. Isso reforça o conceito de que não basta se comunicar, precisamos humanizar as marcas para criar vínculos.”

A exposição em diversos veículos de comunicação — chamada multiplataforma, na qual investimentos são feitos em diferentes mídias — tem sido apontada como uma saída para emplacar marcas. Porém, é preciso entender o funcionamento de cada tipo de veículo.

“Na internet, é possível segmentar o público de forma precisa e eficiente”, explica a coordenadora da equipe de Marketing do Grupo Tribuna, Paula Bertelli.

Ela acrescenta que a propaganda impressa em jornais e revistas traz valor à marca, “uma vez que une a credibilidade desse meio de comunicação com a empresa que faz seu investimento publicitário, por exemplo”.

PhD em comunicação e semiótica e diretor-geral da Ego Comunicação, Américo Barbosa também ressalta o papel da mídia impressa como parte importante de uma estratégia de marketing. “O jornal impresso ainda propicia o envolvimento maior das pessoas. Não é só o piscar de olhos. As matérias proporcionam a você ler e refletir. Isso faz com que se crie um ambiente para as marcas.”


Américo Barbosa, Renê de Moura e Raphael Guedes Foto: Carlos Nogueira e Divulgação

Veículos como o rádio promovem a marca por meio da repetição e do envolvimento com os locutores. “Você consegue impactar o ouvinte de forma eficiente e envolvente, através de um jingle — que faz com que ele cante a melodia — ou incentivando sua criatividade quando imagina uma situação ou um produto narrado”, destaca o diretor de criação DSPA Ideias, Planejamento e Design, Renê de Moura.

“Jornal para ler e refletir, rádio utiliza a repetição, tevê estimula discussão”

Imagem é tudo

A TV se destaca pelo seu grande alcance, principalmente, para atingir público de massa. É um veículo democrático, que chega à população nas mais diversas regiões, levando informação e entretenimento, ressalta o diretor de Atendimento da Samba HotShop, Raphael Guedes.

“Ter um comercial, merchandising ou qualquer outro tipo de citação, através da televisão, além do alcance de público, é sinônimo de verdade. É um veículo capaz de gerar mídia para outras mídias. O que acontece nas televisões é amplamente discutido nas redes sociais, citado nas rádios, nos jornais e afins.”

Ele, porém, observa que construir e estimular uma marca não acontece do dia para a noite. O processo leva tempo para se desenvolver. “A Coca-Cola não era nada quando nasceu, mas, ao ganhar o público, soube reinvestir boa parte do seu lucro em marketing. E o faz até hoje. Marcas assim viram Top of Mind e lideram o mercado”, ressalta Raphael Guedes.